Estudo Citogenético Molecular do Cromossomo 17 em Pacientes com Diagnóstico de Lisencefalia
A Lisencefalia clássica ou tipo I (LIS) é uma malformação que se caracteriza por agiria e paquigiria cortical em porções do córtex cerebral, causada por um defeito de migração neuronal durante o desenvolvimento embrionário. Pode se apresentar de duas formas: Síndrome de Miller-Dieker (MDS) ou Seqüência de Lisencefalia Isolada (ILS). A MDS apresenta, além da lisencefalia, anomalias craniofaciais e outras malformações congênitas associadas, e quase 100% dos pacientes possuem deleção do gene LIS1, mapeado em 17p13.3. Já a ILS apresenta apenas a malformação cortical e pode estar associada com alterações (deleção de todo gene ou deleção/mutação intragênica) no gene LIS1 ou no gene DCX, mapeado em Xq22.3-q23, que codificam proteínas associadas ao movimento neuronal. Além da etiologia genética, a lisencefalia pode ter causas ambientais, como infecções intrauterinas, radiações ionizantes ou uso de substâncias tóxicas durante a gravidez. O presente trabalho teve por objetivo a análise citogenética molecular da região 17p13.3 em 10 pacientes com diagnóstico clínico de lisencefalia para estudo da correlação genótipo-fenótipo e aconselhamento genético adequado para as famílias. Foram realizadas análises citogenética convencional e molecular de pacientes que apresentavam diagnóstico de lisencefalia confirmado por Ressonância Magnética do Crânio. A análise citogenética avaliou alterações cromossômicas numéricas e estruturais a partir de bandamento GTG, enquanto que a técnica de FISH avaliou, através das sondas específicas MDS/ILS e telomérica 17p, possíveis deleções nas regiões 13.3 e telomérica do braço curto do cromossomo 17. Em nenhum dos 10 pacientes foi encontrada alterações numéricas, estruturais ou deleções do gene LIS1. Considerando que a lisencefalia é resultante de mecanismos genéticos e bioquímicos complexos e que a avaliação realizada neste estudo se limitou às regiões 17p13.3 e do telômero, sugerimos que a malformação cortical dos pacientes que compõem nossa amostra estaria relacionada a outros fatores, como mutações intragênicas no gene LIS1 não detectadas pela técnica de FISH, alterações no gene DCX, alterações nos genes que codificam as subunidades PAFAH1B2 e PAFAH1B3 ou ainda causas exógenas.
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